quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Capitulo 2 de Crescendo

Pelos últimos onze segundos, eu estivera deitada com o rosto virado para baixo, abraçando meu travesseiro sobre a minha cabeça, tentando calar as notícias sobre o trânsito no centro de Portland ditas por Chuck Delaney, que estavam saindo pelo meu despertador altas e claras. Igualmente, eu estava tentando calar a parte lógica do meu cérebro, que gritava para que eu me vestisse, prometendo repercussões se eu não fizesse isso. Mas a parte do meu cérebro que buscava o prazer ganhou. Ela unia-se ao meu sonho —ou, melhor, ao assunto do meu sonho. Ele tinha cabelo preto ondulado e um sorriso matador. Neste instante, ele estava sentado de costas em sua moto e eu estava sentada virada para frente, nossos joelhos tocando. Eu curvei meus dedos em sua camiseta e o puxei para um beijo.
No meu sonho, Patch sentia quando eu o beijava. Não só num nível emocional, mas um toque real e físico. No meu sonho, ele se tornava mais humano que anjo. Anjos não conseguem sentir sensações físicas —eu sabia disso —mas no meu sonho, eu queria que Patch sentisse a pressão suave e sedosa de nossos lábios se conectando. Eu queria que ele sentisse os meus dedos passando pelo cabelo dele. Eu precisava que ele sentisse a adrenalina e o campo magnético inquestionável que puxava cada molécula do corpo dele em direção ao meu.
Exatamente como eu sentia.
Patch correu seu dedo sob a corrente de prata no meu pescoço, seu toque mandando ondas de calafrios de prazer por mim. —Eu te amo,— ele murmurou.
Firmando as pontas dos meus dedos em seu abdômen duro, eu me inclinei, parando ao quase beijá-lo.
Só que as palavras não saíram. Elas ficaram presas na minha
garganta.
Enquanto Patch esperava que eu respondesse, seu sorriso
vacilou.
Eu te amo mais, eu disse, roçando sua boca enquanto eu falava. Eu te amo,
A expressão de Patch ficou impaciente. —Eu te amo, Nora,—
ele repetiu.
Eu assenti freneticamente, mas ele se virara. Ele saiu da moto e foi embora sem olhar para trás.
eu tentei novamente. Mais uma vez, as palavras permaneceram presas dentro. Eu te amo!
Patch estava escapulindo para o meio de uma multidão. A noite havia caído ao nosso redor num estalar de dedos, e eu mal conseguia distinguir sua camiseta preta das outras centenas de camisetas escuras nas massas. Eu corri para acompanhá-lo, mas quando agarrei seu braço, foi outra pessoa que se virou. Uma garota. Era tarde demais para dar uma boa olhada em seus traços, mas eu podia afirmar que ela era linda.
—Eu amo o Patch,— ela me disse, sorrindo com seu batom vermelho berrante. —E não tenho medo de dizer.
—Mas eu disse!— eu debati. —Na noite passada eu disse a ele!
Eu empurrei-a para passar, os olhos escaneando a multidão até eu captar um vislumbre do boné azul característico do Patch. Eu saí empurrando freneticamente o caminho todo até ele e estiquei a mão para pegar na dele.
Ele se virou, mas ele tinha mudado para a mesma linda garota. —Você chegou tarde demais,— ela disse. —Eu amo o Patch agora.
—E agora a previsão do tempo, com Angie,— Chuck Delaney tagarelou animadamente no meu ouvido.
Meus olhos se abriram com as palavras —previsão do tempo.— Eu fiquei deitada na cama por um instante, tentando me livrar do que nada mais era que um pesadelo, e me situando. A previsão do tempo era anunciada faltando vinte minutos pro horário, e não havia possibilidade de eu estar ouvindo a previsão, a não ser que...
Escola de verão! Eu tinha dormido demais!
Chutando as cobertas, eu corri para o guarda-roupa. Enfiando meus pés na mesma calça jeans que eu tinha jogado no pé do guarda-roupa noite passada, eu enfiei uma regata branca sobre a minha cabeça e a sobrepus com um cardigã lavanda. Eu liguei para Patch, mas três toques depois eu caí na caixa postal. —Me liga!— eu disse, pausando por meio segundo para me perguntar se ele estava me evitando depois da grande confissão de ontem à noite. Eu botei na minha cabeça que devia fingir que isso nunca tinha acontecido até que o efeito passasse e as coisas voltassem ao normal, mas após o sonho de hoje de manhã, eu estava começando a duvidar que esqueceria isso tão facilmente. Talvez Patch estivesse tanto dificuldade quanto eu em deixar isso pra lá. De qualquer jeito, não havia muito que eu pudesse fazer sobre isso agora. Mesmo eu podendo jurar que ele tinha me prometido uma carona...
Eu empurrei uma tiara no meu cabelo para fazer de penteado, peguei minha mochila da bancada da cozinha, e me apressei porta afora. Eu parei na entrada de carros por tempo o bastante para dar um grito de exasperação para a laje de cimento de 2,5m
por 3m onde meu Fiat Spider 1979 costumava parar. Minha mãe vendera meu Spider para pagar uma dívida de três meses da conta de eletricidade, e para estocar a nossa geladeira com alimentos o suficiente para nos alimentar pelo mês. Ela até mesmo dispensara a nossa governanta, Dorothea, também conhecida como minha mãe substituta, para cortar as despesas. Enviando um pensamento odioso em direção à causa dessa circunstância, eu deslizei minha mochila pelo meu ombro e comecei a correr. A maioria das pessoas a casa da fazenda rural de Maine em que minha mãe e eu vivemos como sendo singular, mas a verdade é que não há nada singular na corrida de 1,5km até o vizinho mais próximo. E a não ser que singular seja um sinônimo para uma casa caída e fria do século XVIII situada no centro de uma inversão atmosférica que suga toda a névoa daqui até o litoral, eu discordo.
Na esquina da Hawthorne com a Beech, eu vejo sinais de vida enquanto carros movem-se rapidamente em sua viagem matinal até o trabalho. Com uma mão eu apontei meu dedão para o ar e com a outra eu desembrulhei um pedaço de chiclete que refresca o hálito e substitui a pasta de dentes. não tinha carro. Não que eu fosse admitir isso para Marcie.
Um 4Runner vermelho da Toyota freiou na esquina, e a janela do passageiro se abaixou com um zunido automático. Marcie Millar estava sentada atrás do volante. —Problemas com o carro?— ela perguntou.
Problema com o carro sim, já que
—Precisa de uma carona?— ela reformulou impaciente quando eu não respondi.
Eu não conseguia acreditar que de todos os carros passando por este pedaço da estrada, fora o da Marcie quem parara. Eu queria andar de carro com a Marcie? Não. Eu ainda estava chateada pelo que ela tinha dito sobre o meu pai? Sim. Eu estava prestes a perdoá-la? Absolutamente não. Eu teria gesticulado para que ela
continuasse dirigindo, mas havia um pequeno empecilho. Havia boatos de que a única coisa que o Sr. Loucks gostava mais do que a tabela periódica dos elementos era distribuir passes para a detenção para estudantes atrasados.
—Obrigada,— eu aceitei relutante. —Estou indo para escola.
—Parece que sua amiga gorda não pode te dar uma carona.
Eu congelei com a minha mão na maçaneta da porta. Vee e eu tínhamos desistido há muito de educar pessoas de mente estreita que — gorda— e —curvilínea— não são a mesma coisa, mas isso não queria dizer que tolerávamos ignorância. E eu teria pedido alegremente à Vee uma carona, mas ela fora convidada para atender uma reunião de treinamento para os editores promissores do eZine da escola e já estava lá.
—Pensando bem, vou andar.— Eu empurrei a porta de Marcie, colocando-a de volta em sua posição.
Marcie tentou um olhar confuso. —Você está ofendida por eu ter chamado ela de gorda? Porque é verdade. Qual o seu problema? Eu sinto como tudo que eu digo tem que ser censurado. Primeiro o seu pai, agora isso. O que aconteceu com a liberdade de expressão?
Por uma fração de segundo eu achei que seria bom e conveniente se eu ainda tivesse o Spider. Não só eu não estaria desamparada sem carona, como eu poderia ter o prazer de passar por cima da Marcie. O estacionamento da escola era caótica depois das aulas. Acidentes aconteciam.
Já que eu não podia dar uma pancada forte em Marcie com o meu para-choque, eu optei pela segunda melhor opção. —Se o meu pai fosse dono da revenda de Toyotas, acho que eu teria pelo menos uma consciência ambiental de pedir por um híbrido.
—Bom, o seu pai não é dono da revenda de Toyotas.
—Isso mesmo. Meu pai está morto.
Ela levantou um ombro. —Você que disse, não eu.
—De agora em diante, acho que é melhor se ficarmos fora do caminho uma da outra.
Ela examinou suas unhas. —Ótimo.
—Beleza.
—Só estava tentando ser legal, e olha no que deu,— ela disse
baixinho.
—Legal? Você chamou a Vee de gorda.
—Eu também te ofereci uma carona.— Ela pisou no acelerador, seus pneus cuspindo poeira de estrada, que flutuaram na minha direção. Eu não acordara esta manhã procurando por outra razão para odiar Marcie Millar, mas consegui.
A Escola Coldwater fora erguida no fim do século XIX, e a construção era uma mistura eclética de gótico com vitoriano que parecia mais uma catedral do que um lugar acadêmico. As janelas eram estreitas e abobadadas, o vidro chumbado. As pedras eram multicoloridas, mas em sua maioria cinzas. No verão, hera espalhava-se pelo exterior e dava à escola um certo charme da Nova Inglaterra. No inverno, a hera lembrava dedos esqueléticos longos enforcando o prédio.
Eu estava meio andando rápido, meio correndo pelo corredor até a sala de química quando meu celular tocou no meu bolso.
—Mãe?— eu respondi, não diminuindo meu passo. —Posso te ligar de vol—
—Você nunca vai acreditar em quem eu esbarrei ontem! Lynn Parnell. Você se lembra dos Parnells, não? A mãe do Scott.
Eu espiei o relógio no meu celular. Eu tivera sorte o bastante de pegar carona até a escola com uma completa estranha —uma mulher a caminho da aula de kickboxing na academia —mas eu ainda estava escapando por pouco. Menos de dois minutos até o sinal avisando que eu estava atrasada. —Mãe? A aula está prestes a começar. Posso te ligar na hora do almoço?
—Você e o Scott eram tão bons amigos.
Ela atiçara uma memória antiga. —Quando tínhamos
—Eu tomei uns drinques com a Lynn noite passada. Ela acabou de finalizar seu divórcio, e ela e Scott estão voltando para Coldwater.
—Isso é ótimo. Eu te ligo—
—Eu convidei-os para jantar hoje à noite.
Enquanto passava pelo escritório da diretora, o ponteiro dos minutos no relógio acima da porta dela andou para o traço seguinte. De onde eu estava, parecia preso entre 7:59 e oito em ponto. Eu apontei um olhar ameaçador para ele que dizia
—Não seja boba!— minha mãe cortou. —Scott é um dos seus amigos mais antigos no mundo. Você o conhecia muito antes do Patch.
—Scott costumava me forçar a comer rocambole,— eu disse, minha memória começando a surgir.
—E você nunca o forçou a brincar de Barbie?
—Totalmente diferente!
—Hoje à noite, sete horas,— minha mãe disse numa voz que calava toda a discussão.
Eu me apressei para a aula de química com segundos faltando e deslizei num banquinho de metal atrás de uma mesa de laboratório feita de granito preto, na primeira fileira. Sentavam-se dois por mesa, e fiquei com os dedos cruzados para ficar de dupla com alguém cujo conhecimento de ciência superasse o meu, o que, dado o meu nível, não era difícil de acontecer. Eu tendia a ser mais romântica do que realista, e escolhia a fé cega invés da lógica fria. O que colocava eu e a ciência em desvantagem desde o começo.
Marcie Millar entrou vagarosamente na sala usando salta alto, calça jeans e uma blusa de seda da Banana Republic que eu tinha na minha lista de desejo para a volta às aulas. No dia do trabalho, a blusa estaria na prateleira de liquidação e na minha faixa de preço. Eu estava no meio do processo de retirar mentalmente essa blusa da minha lista quando Marcie se assentou no banquinho ao meu lado.
—Qual o problema com o seu cabelo?— ela disse. —O mousse acabou? A paciência?— Um sorriso levantou um lado de sua boca. —Ou foi por que teve que correr 6,5km para chegar aqui a tempo?
—O que aconteceu com ficarmos fora do caminho uma da outra?— eu dei uma olhada incisiva para seu banquinho, então para o meu, comunicando que 60 centímetros não era 'ficar fora do caminho'.
—Preciso de algo de você.
Eu exalei silenciosamente, estabilizando minha pressão sanguínea. Eu deveria saber. —É o seguinte, Marcie,— eu disse. —Ambas sabemos que essa aula vai ser insanamente difícil. Deixe-me lhe fazer um favor e te alertar que ciência é a minha pior matéria. A única razão para eu estar na escola de verão é que ouvi dizer que química é mais fácil este semestre. Você não me quer como parceira. Não será fácil conseguir um 10.
—Pareço que estou sentada do seu lado pelo bem da minha média?— ela disse com uma movimento impaciente em seu punho. — Preciso de você para outra coisa. Semana passada consegui um trabalho.
Marcie? Um trabalho?
Ela deu um sorriso forçado, e eu só consegui imaginar que ela havia adivinhado meus pensamentos diretamente pela minha expressão. — Eu arquivo no escritório principal. Um dos vendedores do meu pai é casado com a secretária do escritório principal. Nunca machuca ter conexões. Não que você fosse saber algo sobre isso.
Eu sabia que o pai da Marcie era influente na Coldwater. De fato, ele doava tanto que podia opinar em todas as posições de treinador na escola, mas isso era ridículo.
—De vez em quando, um arquivo cai aberto e eu não consigo evitar ver umas coisas,— Marcie disse.
É, até parece.
—Por exemplo, eu sei que você ainda não superou a morte do seu pai. Você está se estava preocupada com a noite passada. Patch fora embora abruptamente, alegando que tinha um negócio que precisava fazer, mas eu estava tendo Como que o Patch entrou para a escola? Você parece chateada, Nora. Estou na pista certa?— Um sorriso de prazer surpreso começou a nascer em seu rosto. —Eu estou, não estou? Há algo mais aí. —Saia,
O sinal cortou-nos, e quando o som agudo dele morreu, tanto Marcie quanto eu parecemos perceber que a sala tinha ficado silenciosa. Nós olhamos ao redor, e percebi, com uma acidez no estômago, que todos os outros assentos na sala estavam tomados.
O Sr. Loucks se posicionou no corredor à minha direita, balançando uma folha de papel.
—Estou segurando um mapa de assentos vazio,— ele disse. — Cada um dos retângulos corresponde a uma mesa na sala. Escreva seu nome no retângulo apropriado e passe adiante.— Ele bateu o mapa na nossa frente. —Espero que gostem de seus parceiros,— ele nos disse. —Ficarão oito semanas com eles.
Ao meio-dia, quando as aulas acabavam, eu peguei carona com a Vee até o Bistrô Enzo, nosso lugar favorito para comprar cafés mocha gelados ou leite vaporizado, dependendo da estação. Eu senti o sol cozinhar meu rosto enquanto cruzávamos o estacionamento, e foi quando o vi. Um
Volkswagen Cabriolet conversível branco com uma placa de venda grudada na janela: $1.000,80.
--Voce esta babando. -disse Vee levantando com o dedo meu queixo.
--Voce por acaso nao tem mil dolares para me emprestar,tem?
—Não tenho
Eu dei um suspiro de anseio na direção do Cabriolet. —Eu preciso de dinheiro. Eu preciso de um emprego.— Eu fecho meus olhos, me imaginando por trás do volante do Cabriolet, com o teto abaixado, o vento farfalhando meu cabelo encaracolado. Com o Cabriolet, eu nunca teria que pedir carona de novo. Eu seria livre para ir onde eu quisesse, quando eu quisesse.
—É, mas ter um emprego significa que você realmente teria que trabalhar. Quero dizer, tem certeza que quer gastar o verão todo trabalhando por um salário mínimo? Você pode, sei lá, se exaurir ou algo assim.
Eu caço na minha mochila um pedaço de papel e rabisco o número listado na placa. Talvez eu pudesse convencer o dono a diminuir uns duzentos dólares. Enquanto isso, eu acrescentei à minha lista de afazeres da tarde procurar nos classificados por um emprego de meio- período. Um emprego significava um tempo longe de Patch, mas também significava transporte particular. Por mais que eu amasse Patch, ele sempre parecia estar ocupado... fazendo alguma coisa. O que não o tornava confiável quando se tratava de caronas.
dentro do bistro,Vee e eu,pedimos cafe mocha gelados,e saladas apimentadas de noz-peça.
e sentamos em uma mesa com nossa comida.
Pela ultimas,diversas semanas o Enzo passou por reformas fazendo-o chegar ao seculo XXI,e agora tinha sua propria lan-house.Dado o fato de meu computar ter 6 anos,e eu estar completamente animada com isso.
—Não sei quanto a você, mas estou pronta para as férias,— Vee disse, empurrando seu óculos de sol para o alto de sua cabeça. —Mais oito semanas de espanhol. São mais dias do que eu quero pensar. Precisamos é de uma distração. Precisamos de algo que tirará nossas mentes desse período sem fim de educação de qualidade estirado à nossa frente. Precisamos fazer compras. Portland, aqui vamos nós.A Macy's está tendo uma grande liquidação. Eu preciso de sapatos, eu preciso de vestidos, e eu preciso de um perfume novo.
Você acabou de comprar roupas novas. No valor de duzentos dólares. Sua mãe vai ter uma hemorragia quando receber a conta do MasterCard dela.
—É, mas eu preciso de um namorado. E para conseguir um namorado, você tem que ficar bonita. Não dói ser cheirosa também.
Eu mordo uma pêra cortada em cubos do meu garfo. —Tem alguém em tão gostoso. Sério, o resto do meu dia é um fracasso. Ou Portland ou cai fora, é o que eu digo.
mente?
—De fato, tenho sim.
—Só me prometa que não é Scott Parnell. —Scott quem?
Eu sorri. —Viu? Agora estou feliz.
—Eu não conheço nenhum Scott Parnell, mas o cara em quem estou de olho por um acaso é gostoso. Gostoso do tipo acima da média. Gostoso do tipo mais-gostoso-que-o-Patch.— Ela fez uma pausa. —Bem, talvez não tão gostoso assim. Ninguém é
Eu abri a minha boca, mas Vee foi mais rápida.
—Uh-oh,— ela disse. —Eu conheço esse olhar. Você vai me dizer que já tem planos.
—Voltando para Scott Parnell. Ele costumava morar aqui quando tínhamos cinco anos.
Vee parecia estar procurando em sua memória de longo prazo.
—Ele molhava sua calça bastante,— eu ofereci de modo
auxiliador.
Os olhos de Vee se acenderam. —Scotty, o Mijão? —Ele está voltando para Coldwater. Minha mãe o convidou para jantar hoje à noite.
—Estou vendo onde isso vai dar,— Vee disse, assentindo sabiamente. —Isso é o que chamamos de 'conheça o bonitinho.' É quando as vidas de dois parceiros românticos em potencial se cruzam. Lembra quando a Desi entrou sem querer no banheiro masculino e pegou o Ernesto no urinol?
Eu parei com meu garfo na metade do caminho entre meu prato e a minha boca. —O quê?
—Em
—Não, ela não quer. Ela sabe que estou com o Patch.
—Só porque ela sabe, não quer dizer que ela está feliz com isso. Sua mãe vai gastar bastante tempo e energia transformando essa equação de Nora mais Patch igual amor, para Nora mais Scotty igual amor. E que tal isso? Talvez Scotty, o Mijão se transformou em Scotty, o Gostosão. Você já pensou nisso?
Eu não tinha, e não ia pensar, também. Eu tinha o Patch, e eu estava perfeitamente feliz em continuar assim.
—Podemos falar sobre algo ligeiramente mais O que você sabe?
urgente?— eu perguntei, achando que estava na hora de mudar de assunto antes que o nosso atual desse à Vee ideias ainda mais loucas. —Como o fato de que a minha nova parceira de química é a Marcie Millar?
—Que vadia.
—Aparentemente, ela está arquivando no escritório principal, e ela olhou no arquivo do Patch.
—Ainda está vazio?
—Parece que sim, já que ela quer que eu conte à ela tudo que eu sei sobre ele.— Incluindo o porque dele estar parado em sua garagem na noite passada, olhando para a janela de seu quarto. Uma vez eu ouvira um boato de que Marcie segurava uma raquete de tênis em sua janela quando ela estava aberta a pagamentos para certos —serviços,— mas eu não ia pensar nisso. Os boatos eram 90 por cento fictícios, não?
Vee inclinou-se para perto. —
Nossa conversa declinou para um silêncio desconfortável. Eu não acreditava em segredos entre melhores amigas. Mas há segredos... e há verdades duras.
Verdades assustadoras. Verdades inimagináveis. Tendo uma namorado que é um anjo caído transformado em anjo da guarda se encaixa em todas as categorias acima.
—Você está escondendo algo de mim.
—Não estou.
—Está sim.
Um longo silêncio.
—Eu tão engraçado assim? Eu tinha feito algo ainda mais estúpido do que eu já achava ter feito? Patch te arrumou um encontro às escuras?
disse ao Patch que o amava.
Vee cobriu sua boca, mas eu não conseguia dizer se ela estava sufocando um ofegar ou uma risada. O que só me fazia sentir mais insegura. Isso era
—O que ele disse?— Vee perguntou.
Eu mal olhei para ela.
—Tão ruim assim?— ela perguntou.
Eu limpei minha garganta. —Me conta sobre esse cara de quem você está atrás. Quero dizer, essa é uma paixonite a distância, ou você já falou com ele?
Vee entendeu a dica. —Falar com ele? Eu comi cachorro quente com ele no Skippy ontem no almoço. Foi um desses negócios de encontro às escuras, e foi melhor do que eu esperava. Muito melhor. Pra sua informação, você saberia disso tudo se tivesse retornado as minhas ligações ao invés de ficar se pegando com o seu namorado sem parar.
—Vee, eu sou a sua única amiga, e não fui eu quem te arrumou
ele.
—Eu sei. Foi o seu namorado.
Eu engasguei numa bola de queijo gorgonzola. —
—É, e daí?— Vee disse, seu tom indo à direção do defensivo.
Eu sorri. —Achei que você não confiava no Patch.
—Não confio.
—Mas?
—Eu tentei te ligar para vetar o meu encontro primeiro, mas repetindo, você nunca mais retorna as minhas ligações.
—Missão cumprida. Eu me sinto como a pior amiga do mundo. — Eu lhe mandei um sorriso conspiratório. —Agora me conta o resto.
O tom de resistência de Vee caiu, e ela imitou meu sorriso. —O nome dele é Rixon, e ele é irlandês. O sotaque irlandês dele me mata. Sexy ao máximo. Ele é um tanto magricela, considerando que eu sou robusta, mas estou planejando perder nove quilos esse verão, então tudo deve ficar balanceado até agosto.
—Rixon? Não brinca! Eu amo o Rixon!— De praxe, eu não confiava em anjos caídos, mas Rixon era uma exceção. Como Patch, seus limites morais estavam puxados para a área cinzenta entre o preto e o branco. Ele não era perfeito, mas ele não era de todo mal, tampouco. Eu sorri, apontando meu garfo para a Vee. —Não acredito que você saiu com ele. Quero dizer, ele é o melhor amigo do Patch. Você odeia o Patch.
Vee lançou à ela seu olhar de gata negra, seu cabelo praticamente eriçando. —Melhores amigos não querem dizer nada. Olha para você e para mim. Não somos nada parecidas.
—Isso é ótimo. Nós quatro podemos sair o verão todo.
—Uh-uh. De jeito nenhum. Eu não vou sair com o maluco do seu namorado. Eu não ligo para o que você me disse, eu ainda acho que ele teve algo a ver com a morte misteriosa do Jules no ginásio.
Uma nuvem escura caiu na conversa. Houvera apenas três pessoas no ginásio na noite que Jules morreu, e eu era uma delas. Eu nunca disse à Vee tudo que acontecera, só o bastante para fazê-la parar de me pressionar, e para sua própria segurança, eu planejava continuar assim.
Vee e eu passamos o dia dirigindo, pegando fichas de solicitação de emprego de lanchonetes de fast-food locais, e eram quase seis e meia quando cheguei em casa. Eu deixei minhas chaves caírem bancada e chequei as mensagens da secretária eletrônica. Havia uma da minha mãe. Ela estava no Mercado Michaud comprando pão de alho, lasanha pronta, e vinho barato, e jurou de pés juntos que chegaria antes que os Parnells em casa.
Eu deletei a mensagem e subi escada acima para meu quarto. Já que não tinha tomado banho de manhã, e meu cabelo tinha atingido a altura máxima de frizz durante o dia, achei que devia colocar uma roupa linda para controlar os danos. Todas as lembranças que eu tinha do Scott Parnell era desagradáveis, mas companhia era companhia. Eu tinha desabotoado meu cardigã pela metade quando bateram na porta de frente.
Eu encontrei Patch do outro lado dela, as mãos em seus bolsos.
Normalmente eu teria cumprimentado-o ao me confinar diretamente em seus braços. Hoje eu me segurei. Ontem à noite eu dissera que o amava, e ele tinha fugido e supostamente se dirigido diretamente para a casa da Marcie. Meu humor estava em algum lugar entre orgulho ferido, raiva, e insegurança. Eu esperei que meu silêncio reservado lhe mandasse a mensagem de que algo estava errado, e que ficaria até que ele corrigisse, ou se desculpando ou se explicando.
—Ei,— eu disse, assumindo uma informalidade. —Você esqueceu de ligar ontem à noite. Onde você acabou indo?
—Por aí. Você vai me convidar para entrar?
Eu não convidei. —Fico feliz de saber que a casa da Marcie fica bem, sabe, por aí.
Um relampejo momentâneo de surpresa em seus olhos confirmou o que eu não queria acreditar: Marcie estivera dizendo a verdade.
—Quer me contar o que está acontecendo?— eu disse num tom ligeiramente mais hostil. —Quer me contar o que você estava fazendo na casa dela ontem à noite?
—Você parece com ciúmes, Anjo.— Podia ter havido um tom de provocação por trás, mas ao contrário do que de costume, não havia nada de amoroso ou brincalhão nisso.
—Talvez eu não tivesse ciúmes se você não me desse uma razão para ter,— eu retruquei. —O que você estava fazendo na casa dela?
—Dando conta de uns negócios.
Minhas sobrancelhas foram arrastadas para cima. —Eu não tinha percebido que você e Marcie tinham negócios a tratar.
—Nós temos, mas é só isso. Negócios.
—Se importa em explicar?— Havia uma dose pesada de alegações comprimidas entre as minhas palavras.
—Está me acusando de algo?
—Eu deveria?
Patch ferimento superficial dela está sarando apropriadamente. Marcie? Desde quando você começou a colocar nós três na mesma frase? Desde quando ela significa algo para você?— eu repreendi. Aqui vamos nós de novo, o todo mundo —me alertou que você era o tipo de cara que vê as garotas como sendo conquistas. Eles disseram que eu era apenas mais um troféu na sua parede, outra garota estúpida que você seduziu para sua própria satisfação. Eles disseram que o instante que eu me apaixonasse por você seria o instante que você iria embora.— Eu engoli em seco. —Eu preciso saber que eles não estavam certos. não perguntar isso. Não depois de observar tudo desmoronar desde ontem à noite. Eu não posso responder isso,
—Quando a gente se beija, você finge?
Ele parou abruptamente. Outro chacoalhar de descrença de sua cabeça.
Fingir? —Quando eu te toco, você sente algo? Até onde o seu desejo chega? Você sente algo perto do que eu sinto por você?
Patch me observou em silêncio. —Nora-,— ele começou.
—Quero uma resposta honesta.
Após um momento, ele disse, —Emocionalmente, sim.
—Mas não fisicamente, certo? Como eu posso estar num relacionamento, quando eu não faço ideia do quanto significa para você? Eu estou experienciando as coisas num nível completamente diferente? Porque é assim que parece. E eu
—Apenas uma cena? Você está escutando a si mesma?— Ele inclinou sua cabeça para trás contra a parede e deu outra risada sombria. Ele me deu uma olhadela de lado. —Você já acabou com as acusações?
—Você acha que isso é engraçado?— eu disse, atingida por uma onda nova de raiva.
—Bem o oposto.— Antes que eu pudesse dizer mais, ele se virou em direção à porta. —Me ligue quando você estiver pronta para falar racionalmente.
—O que isso quer dizer?
—Quer dizer que você está louca. Você está impossível.
odeio isso,— eu acrescentei. —Eu não quero que você me beije porque você tem que me beijar. Eu não quero que você finja que isso significa alguma coisa, quando na verdade é apenas uma cena. —Eu
Ele inclinou meu queixo para cima e plantou um beijo rápido e bruto na minha boca. —E eu devo estar louco por aguentar isso.
Eu me livrei e esfreguei meu queixo com ressentimento. —Você desistiu de se tornar humano por mim, e é isso o que eu consigo? Um namorado que passa tempo na casa da Marcie, mas não me diz por quê. Um namorado que cai fora ao primeiro sinal de briga. Veja se essa carapuça te serve: Você é um —babaca!
estou louca? Babaca? ele falou com os meus pensamentos, sua voz fria e cortante. Estou tentando seguir as regras. Eu não devo me apaixonar por você. Ambos sabemos que isso não é sobre a Marcie. Isso é sobre o que eu sinto por você. Eu tenho que me segurar. Estou andando numa linha tênue. Me apaixonarfoi o que me encrencou da primeira vez. Eu não posso ficar com você da maneira que eu quero. —Por que você desistiu ser humano por mim se você sabia que não podia ficar comigo?—eu perguntei, minha voz vacilando ligeiramente, suor formigando as palmas das minhas mãos. —O que é que você ao menos
esperava de um relacionamento comigo? Qual o nosso ------ minha voz ficou
presa e eu engoli em seco sem querer ------- propósito?
O que eu esperara de um relacionamento com o Patch? Em algum momento, eu devo ter pensando para onde nosso relacionamento estava indo, e o que aconteceria. É claro que eu pensei. Mas eu estivera tão assustada pelo que eu previra
que eu afastei o inevitável. Eu fingi que um relacionamento com Patch iria funcionar, porque bem no fundo, qualquer tempo com o Patch parecera melhor que nenhum tempo com ele.
Anjo. Eu olhei para cima quando Patch falou meu nome em Ficar perto de você em qualquer nível é melhor do que nada. Eu não vou te perder. Ele fez uma pausa, e pela primeira vez desde que eu o conhecera, eu vi um relampejo de preocupação em seus olhos. Mas eu já caí uma vez. Se eu der aos arcanjos uma razão para achar que eu estou mesmo que remotamente apaixonado por você, eles me mandarão para o inferno. Para sempre. A notícia me atingiu como um golpe no estômago. —O quê? Eu sou um anjo da guarda, ou pelo menos foi o que me disseram, mas os arcanjos não confiam em mim. Não tenho nenhum privilégio, nenhuma privacidade. Dois deles me encurralaram ontem à noite para bater um papo, e eu fui embora com a sensação de que eles querem que eu cometa um deslize de novo. Por uma razão qualquer, eles escolheram agora para serem severos comigo. Eles estão procurando por qualquer desculpa para se livrarem de mim. Eu estou em condicional, e se eu estragar isso, minha história não terá um finalfeliz. Eu o encarei, achando que ele devia estar exagerando, achando que não podia ser tão ruim assim, mas uma olhada em seu rosto me disse que ele nunca falara mais sério.
—O que acontece agora?— eu perguntei em voz alta.
Ao invés de responder, Patch suspirou em frustração. A verdade era que isso ia terminar mal. Não importava o quanto nós recuássemos, protelássemos, ou olhássemos pro outro lado, um dia, cedo demais, nossas vidas seriam separadas. O que
aconteceria quando eu me formasse e fosse pra faculdade? O que aconteceria quando eu seguisse a minha carreira dos sonhos até o outro lado do país? O que aconteceria quando chegasse a hora de eu casar ou de ter filhos? Eu não fazia um favor a ninguém ao me apaixonar pelo Patch cada dia mais. Eu realmente queria ficar nessa por mais perto, sabendo que só iria acabar em desolação?
Por um instante passageiro, eu achei que tinha a resposta —eu desistiria dos meus sonhos. Era simples assim. Eu fechei meus olhos e soltei meus sonhos como se eles fossem balões com cordas longas e finas. Eu não precisava desses sonhos. Eu nem poderia ter certeza que eles fossem se realizar. E mesmo que eles se realizassem, eu não queria passar o resto da minha vida sozinha e torturada com o conhecimento de que tudo que eu fizera não significava nada sem o Patch.
E então eu percebi, de uma maneira horrível, que nenhum de nós podia desistir de tudo. Minha vida continuaria marchando até o futuro, e eu não tinha o poder de pará-la. Patch continuaria sendo anjo para sempre; ele continuaria no caminho que estava desde que caíra.
—Não há nada que possamos fazer?— eu perguntei.
—Estou trabalhando nisso.
Em outras palavras, ele não tinha nada. Estávamos presos dos dois lados —os arcanjos botando pressão em uma direção, e dois futuros se dirigindo para direções amplamente diferentes uma da outra.
—Eu quero terminar,— eu disse silenciosamente. Eu sabia que não estava sendo justa —eu estava me protegendo. Que outra opção eu tinha? Eu não podia dar ao Patch uma chance de me fazer desistir disso. Eu tinha que fazer o que era melhor para nós dois. Eu não podia ficar aqui, esperando, quando a própria coisa que eu esperava desaparecia mais a cada dia. Eu não podia mostrar o quanto eu me importava quando isso só deixaria, no fim, as coisas imensamente difíceis. Principalmente, eu não queria
ser a razão para Patch perder tudo pelo que ele tinha lutado. Se os arcanjos estavam procurando por uma desculpa para bani-lo para sempre, eu só estava facilitando isso.
Patch me encarou como se não pudesse dizer se eu estava falando sério. —É isso? Você quer terminar? Você teve a sua chance de se explicar, que eu não engoli, a propósito, mas agora que é a minha vez, eu devo simplesmente engolir a sua decisão e ir embora?
Eu abracei meus cotovelos e me virei para longe. —Você não pode me forçar a ficar numa relação que eu não quero.
—Podemos falar sobre isso?
—Se quiser falar, me diga o que estava fazendo na casa da Marcie ontem à noite.— Mas Patch estava certo. Isso não era sobre a Marcie. Isso era sobre eu estar assustada e chateada com o fato de que o destino e as circunstâncias tinham nos cortado.
Eu me virei para ver Patch arrastar suas mãos pelo seu rosto. Ele deu uma risada curta e sem humor.
—Se eu tivesse estado com o Rixon ontem à noite, você se perguntaria o que estava acontecendo!— eu atirei de volta.
—Não,— ele disse, sua voz perigosamente baixa. —Eu confio
em você.
Com medo de que fosse perder minha resolução se não agisse imediatamente, eu bati a parte debaixo das minhas mãos contra o peito dele, fazendo-o cambalear um passo para trás. —Vai,— eu disse, as lágrimas deixando a minha voz áspera. —Eu tenho outras coisas que quero fazer da minha vida. Coisas que não te
envolvem. Eu tenho a faculdade e empregos futuros. Não vou jogar tudo isso fora por algo que nunca deveria teve chance.
Patch recuou. —É isso que você realmente quer?
—Quando eu beijar meu namorado, eu quero saber que ele
sente!
Assim que disse isso, eu me arrependi. Eu não queria magoá-lo —eu só queria acabar com esse momento o mais rápido possível antes que eu desatasse e sucumbisse ao choro. Mas eu tinha ido longe demais. Eu vi ele se endurecer. Nós ficamos parados cara-a-cara, ambos respirando de forma alta.
Então ele marchou para fora, puxando a porta para fechar com tudo atrás dele.
Assim que a porta se fechara, eu desmoronei contra ela. Lágrimas queimaram no fundo dos meus olhos, mas nenhuma gota caiu. Eu tinha frustração e raiva demais se batendo dentro de mim para sentir qualquer outra coisa, mas eu suspeitei que isso, de certo modo, fez com que um gemido ficasse preso na minha garganta, e que daqui a cinco minutos, quando todo o resto tivesse desaparecido e eu percebesse o impacto total do que eu tinha feito, eu sentiria meu coração quebrar.

meus pensamentos.
ele disse, me assustando ao falar com os meus pensamentos. Era um dom que todos os anjos possuíam, mas eu não entendia por que ele estava escolhendo usar isso agora. —Eu passo aqui amanhã. Durma bem,— ele acrescentou de forma curta, se dirigindo para a porta.

era geralmente um expert em esconder suas emoções, mas a linha da sua boca se apertou. —Não.
—Se estar na casa dela ontem à noite era tão inocente, por que você está tendo tanta dificuldade em explicar o que você estava fazendo lá?
—Não estou tendo dificuldade,— ele disse, cada palavra medida com cuidado. —Não estou te contando porque o que eu estava fazendo na casa da Marcie não tem nada a ver conosco.
Como ele podia achar que isso não tinha nada a ver conosco? Marcie era a única pessoa que se aproveitava de cada oportunidade para me atacar e me menosprezar. Pelos últimos onze anos, ela tinha me provocado, espalhado boatos horríveis sobre mim, e me humilhado publicamente. Como ele podia achar que isso não era pessoal? Como ele podia achar que eu iria simplesmente aceitar isso, sem perguntar nada? Acima de tudo, ele não conseguia ver que eu estava apavorada por Marcie talvez usá-lo para me machucar? Se ela suspeitasse que ele estivesse remotamente interessado, ela faria tudo em seu poder para roubá-lo para si mesma. Eu não conseguia suportar pensar em perder o Patch, mas me mataria se eu o perdesse para ela.
Devastada por esse medo repentino, eu disse, —Não volte até que esteja pronto para me contar o que você estava fazendo na casa dela.
Patch forçou sua entrada de força impaciente e fechou a porta atrás de si. —Eu não vim aqui para discutir. Eu queria que você soubesse que a Marcie teve alguns problemas esta tarde.
Marcie de novo? Ele achava que já não tinha cavado um buraco fundo o bastante? Eu tentei permanecer calma por tempo o bastante para escutá-lo, mas eu queria gritar com ele. —Ah?— eu disse friamente.
—Ela foi pega no fogo cruzado quando um grupo de anjos caídos tentou forçar um Nephil a jurar fidelidade dentro do banheiro masculino na Bo's Arcade. O Nephil não tinha dezesseis anos, então eles não podiam forçá-lo, mas eles se divertiram tentando. Eles o cortaram bastante, e quebraram algumas costelas. Aí entra a Marcie. Ela bebeu demais e entrou no banheiro errado. O anjo caído que estava guardando o local enfiou uma faca nela. Ela está no hospital, mas eles a liberarão logo. Ferimento superficial.
Meu pulso acelerou, e eu sabia que estava chateada por Marcie ter sido esfaqueada, mas essa era a última coisa que eu queria revelar para o Patch. Eu cruzei meus braços de maneira dura. —Minha nossa, o Nephil está bem?— eu me lembrei vagamente do Patch explicando, há algum tempo, que anjos caídos não podem forçar os Nephilim a jurarem lealdade até que tenham dezesseis anos. Igualmente, ele não podia me sacrificar para conseguir um corpo humano próprio até que eu fizesse dezesseis anos. Dezesseis anos era uma idade sombriamente mágica, até mesmo crucial, no mundo dos anjos e dos Nephilim.
Patch me lançou um olhar que continha uma ínfima partícula de nojo. —Marcie podia estar bêbada, mas a probabilidade é de que ela se lembre do que viu. Obviamente você sabe que anjos caídos e Nephilim tentam ficar despercebidos, e
alguém como a Marcie, com uma bocona, pode ameaçar o segredo deles. A última coisa que eles querem é que ela anuncie para o mundo o que viu. O nosso mundo opera muito mais suavemente quando os humanos não possuem conhecimento dele. Eu conheço os anjos caídos envolvidos.— Sua mandíbula ficou tensa. —Eles farão o que for preciso para manter a Marcie calada.
Eu senti um calafrio de medo por Marcie, mas dispensei-o. Desde quando Patch se importava se algo acontecia ou não com a Marcie?
Desde quando ele estava mais preocupado com ela do que comigo? —Estou tentando me sentir mal,— eu disse, —mas parece que você está preocupado o bastante por nós dois.— Eu sacudi a maçaneta e segurei a porta totalmente aberta. —Talvez você devesse ir ver a Marcie, ver se o
Patch forçou a minha mão a se soltar e fechou a porta com seu pé. —Estão acontecendo coisas mais importantes que você, eu, e a Marcie. — Ele hesitou, como se tivesse mais a dizer, mas fechou sua boca no último momento.
—Você, eu, e a
Ele fechou uma mão em sua nuca, parecendo como se soubesse muito bem que tinha que escolher suas palavras cuidadosamente antes de responder.
—Simplesmente me diga o que você está pensando!— eu falei sem pensar. —Desembucha! Já é ruim o bastante eu não ter ideia do que você está sentindo, quanto mais do que você está pensando!
Patch olhou ao redor, como se perguntando-se se eu estava falando com outra pessoa. —Desembucha?— ele disse, seu tom sombriamente descrente. Talvez até mesmo irritado. —O que parece que eu estou tentando fazer? Se você se acalmar, eu consigo. Agora você vai ficar histérica, não importa o que eu diga.
Eu senti meus olhos se estreitarem. —Eu tenho direito de ficar nervosa. Você não me conta o que estava fazendo na casa da Marcie ontem à noite.
Patch jogou suas mãos para cima.
gesto dizia.
—Há dois meses,— eu comecei, tentando injetar orgulho na minha voz para esconder o tremor nela, —Vee, a minha mãe —
Mesmo eu não querendo relembrar isso, a lembrança da noite passada ressurgiu com uma claridade perfeita. Eu me lembrei da cena humilhante toda com detalhes vívidos. Eu dissera que o amava, e ele me deixara esperando. Havia centenas de maneiras diferentes de analisar o silêncio dele, nenhuma delas boa.
Patch sacudiu sua cabeça em descrença. —Você quer que eu te diga que eles estão errados? Eu tenho a sensação de que você não vai acreditar em mim, não importa o que eu diga.— Ele olhou de modo furioso para mim.
—Você está tão empenhado nesse relacionamento quanto eu estou?— Eu não podia
De repente eu percebi que não fazia ideia de como o Patch realmente se sentia a meu respeito. Eu achava que significava tudo para ele, mas e se eu só tinha visto o que eu queria? E se eu tinha exagerado em excesso os sentimentos dele? Eu olhei em seus olhos, para não facilitar isso para ele, para não dar-lhe uma segunda chance de evitar a questão. Eu precisava saber. —Você me ama?
Corazón, a novela espanhola. Não? Não importa.Sua mãe quer juntar você com Scotty, o Mijão. Imediatamente.
— Marcie ordenou. —Não. cinco para te emprestar. Meu porquinho está oficialmente anoréxico.  

consultando com o psicólogo da escola. Eu sei tudo sobre todos. Exceto sobre o
Patch. Semana passada notei que o arquivo dele está vazio. Eu quero saber por que. Eu quero saber o que ele está escondendo.
—Por que você se importa?
—Ele estava parado na minha garagem na noite passada, olhando pela janela do meu quarto.
Eu pestanejei. —Patch estava parado na sua garagem?
—A não ser que você conheça outro cara que dirija um Jeep Commander, veste-se só de preto, e é super gostoso.
Eu franzi a testa. —Ele disse alguma coisa?
—Ele me viu observando da janela e foi embora. Eu deveria pensar em conseguir uma medida cautelar? Esse é o comportamento normal dele? Eu sei que ele é desajustado, mas quero saber o grau de desajustamento.
Eu ignorei-a, absorvida demais em ponderar essa informação. Patch? Na casa da Marcie? Tinha que ter sido depois dele sair da minha casa. Depois de eu dizer, —Eu te amo,— e dele ter escapulido.
—Não tem problema,— Marcie disse, endireitando-se. —Há outras maneiras de se conseguir informação, como pela administração. Acho que vão fazer um estardalhaço por causa de um arquivo escolar vazio. Eu não ia dizer nada, mas para minha própria segurança...
Eu não estava preocupada com Marcie indo falar com a administração. Patch podia se cuidar. Eu
dificuldade em acreditar que esse negócio fosse ficar parado na garagem da Marcie. Era muito mais fácil aceitar que ele tinha ido embora pelo que eu tinha dito.
—Ou pela polícia,— Marcie acrescentou, batendo a ponta de seu dedo em seu lábio. —Um arquivo escolar vazio quase soa ilegal.
Eu a olhei com olhos frios. —Para alguém que deixou claro que sua vida é superior a de todos os outros alunos desta escola, você com certeza tornou um hábito perseguir cada faceta de nossas vidas entediantes e sem valor.
O sorriso de Marcie desapareceu. —Eu não teria que fazer isso se todos ficassem fora do meu caminho.
—Do seu caminho? Esta escola não é sua.
—Não fale comigo desta maneira,— Marcie disse com um tique de descrença e quase involuntário de sua cabeça. —De fato, não fale comigo e ponto.
Eu virei minhas palmas para cima. —Sem problema.
—E enquanto faz isso, saia.
Eu olhei para baixo para meu banquinho, pensando que com certeza ela não poderia querer dizer-------------------- Eu cheguei aqui primeiro.
Me imitando, Marcie virou suas palmas para cima. —Não é problema meu.
—Não vou sair.
—Não vou sentar do seu lado.
—Que bom ouvir isso.
cinco anos,— eu disse. —Ele não molhava sempre a calça? Não ouse tocar mais cedo. —Hoje à noite não dá, mãe. Patch e eu—
eu gritei na direção dele. Eu te amo, eu te amo! Mas foi como se areia movediça tivesse sido entornada pela minha garganta abaixo; quanto mais eu tentava lutar para que as palavras saíssem, mais rápido elas eram rebocadas para baixo.

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